sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Ao Brasil

É, Brasil de terras garridas...

Tingido ao sangue do novo mundo....

Em teu seio aflora a magnitude

Da dor, do sangue, do sofrimento.

Os teus bosques aqui jazem

Não existem mais...

E em teu berço esplendidas lutas

Negros, índios nativos, todos

Morreram a procura de paz...

Paz para brancas elites

Tão luzentes quanto o clarão

Das chamas em que queimaram

Nossos Carajás...

E no Ipiranga, homens Sem Terra

E nas margens flácidas dos teus rios

Nuvens brancas e peixes a boiar,

Guerras no passado, destruíram nosso presente

E a paz, ah a paz tão almejada,

Ficou no sonho das crianças carentes

E no seio da América

Brasil de terras vastas

Ainda hoje é símbolo de lutas armadas

E a liberdade desafiada

Pela qual tantos morreram

Ficou esquecida nos sonhos

E nos braços fortes de índios e negros, escravos

que em teu seio lutaram

Em tuas verdes matas

Só o deserto que sobrou de presente

E se fostes gentil com teus filhos no passado...

Os invasores que aqui chegaram...

Os teus filhos, feito escravos

Morreram por teus verdes prados

E a glória que tanto almejas

Foi derrubada no passado

Por monstros que aqui viveram...

Que destruíram suas cascatas...

Perfuraram teu corpo, com minas pra todo lado

O sangue que vertia em tuas veias

Por todo o corpo derramado.

Ah Brasil, lindo e bondoso

Teus invasores te maltrataram

Por isso, muitos de teus filhos,

Hoje sofrem sem ter uma sombra

Pra repouso. Ainda assim risonho e límpido

És bom e gentil, e oferece ao teu mártir

Todo conforto e amor de uma mãe gentil

Mas teus risonhos, verdes, lindos bosques

Encantados, por botos, sereias,

Curupiras, sacis, salamandras,

Mulas sem cabeça, e tantos outros seres adorados,

Não têm mais flores como no passado.

E o lindo mar que banha teus litorais

Em grande parte está sujo e lotado

De homens de todos os cantos da Terra

Que aumentam teu povoado

E teus animais cada vez mais sofrem

Por queimadas, destruição,

Construções que matam de tristeza.

E se te agüentas , aos trancos e barrancos

Um dia desses farás como um cachorro...

Que não agüentando mais as pulgas

Livra-se delas com um sacolejo.

(Karen Triacca)

Nenhum comentário: