Ao Brasil
É, Brasil de terras garridas...
Tingido ao sangue do novo mundo....
Em teu seio aflora a magnitude
Da dor, do sangue, do sofrimento.
Os teus bosques aqui jazem
Não existem mais...
E em teu berço esplendidas lutas
Negros, índios nativos, todos
Morreram a procura de paz...
Paz para brancas elites
Tão luzentes quanto o clarão
Das chamas em que queimaram
Nossos Carajás...
E no Ipiranga, homens Sem Terra
E nas margens flácidas dos teus rios
Nuvens brancas e peixes a boiar,
Guerras no passado, destruíram nosso presente
E a paz, ah a paz tão almejada,
Ficou no sonho das crianças carentes
E no seio da América
Brasil de terras vastas
Ainda hoje é símbolo de lutas armadas
E a liberdade desafiada
Pela qual tantos morreram
Ficou esquecida nos sonhos
E nos braços fortes de índios e negros, escravos
que em teu seio lutaram
Em tuas verdes matas
Só o deserto que sobrou de presente
E se fostes gentil com teus filhos no passado...
Os invasores que aqui chegaram...
Os teus filhos, feito escravos
Morreram por teus verdes prados
E a glória que tanto almejas
Foi derrubada no passado
Por monstros que aqui viveram...
Que destruíram suas cascatas...
Perfuraram teu corpo, com minas pra todo lado
O sangue que vertia em tuas veias
Por todo o corpo derramado.
Ah Brasil, lindo e bondoso
Teus invasores te maltrataram
Por isso, muitos de teus filhos,
Hoje sofrem sem ter uma sombra
Pra repouso. Ainda assim risonho e límpido
És bom e gentil, e oferece ao teu mártir
Todo conforto e amor de uma mãe gentil
Mas teus risonhos, verdes, lindos bosques
Encantados, por botos, sereias,
Curupiras, sacis, salamandras,
Mulas sem cabeça, e tantos outros seres adorados,
Não têm mais flores como no passado.
E o lindo mar que banha teus litorais
Em grande parte está sujo e lotado
De homens de todos os cantos da Terra
Que aumentam teu povoado
E teus animais cada vez mais sofrem
Por queimadas, destruição,
Construções que matam de tristeza.
E se te agüentas , aos trancos e barrancos
Um dia desses farás como um cachorro...
Que não agüentando mais as pulgas
Livra-se delas com um sacolejo.
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